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14.5.11

Pequenas coisas, grandes problemas



A vida lhe era agradável, mesmo com os problemas comuns de uma adolescente, as coisas pareciam ir bem.
Sofia no momento só queria poder voltar às "coisas boas". E queria saber também o porquê, naquele exato momento, tinha que pensar por três. Três pessoas que de alguma forma seriam prejudicadas. Três num modo sintetizado. Três que ela devia pensar primeiro. Duas felizes e uma ferida ou duas feridas e uma completamente ilesa e enganada.
Sentia-se num mundo estranho, passando por uma situação incomum, algo que nunca imaginou que aconteceria com ela. Logo ela, que do alto de sua racionalidade não estava disposta a, mais uma vez, pensar pelos outros.
Sempre procurando não ferir ninguém ou tornar as coisas mais fáceis para os outros. Acabava se ferindo um pouco. Talvez, no final de tudo e de todas as coisas estivesse mais ferida do que todo mundo, mas não era com isso que se importava. Só procurava equilibrar as coisas. Mais com o cérebro do que com o coração.
Agora, ela não conseguia nem podia ignorar totalmente seus sentimentos. Não estava disposta a sofrer uma vez mais por pessoas que, como ela, também não eram perfeitas.
Será que não valia a pena enfrentar um pouco e ensinar a alguém que o mundo não será sempre do jeito que esse alguém deseja? Seria interessante mostrar que pessoas sofrem por coisas que também não fazem, deixar-se ser ignorante pelo menos uma vez. Só que essa não era Sofia. Ela não se deixava levar.

E assim, Sofia sofria.

16.12.10

Devia chamar abstinência


Finas gotas desciam daquele céu nebuloso. Escorriam pelas janelas dos carros que passavam e levantavam timidamente a lama que estava empossada ali por perto. Já passava das oito e meia da noite e Maristela estava na rua de um bairro desconhecido, esperando que um ônibus passasse para que ela voltassem, enfim, para o aconchego de seu lar.
Os pais deviam ter saido de casa, e provavelmente estavam em algum lugar onde não podiam atender ao celular. Lhe restava terminar o domingo assim... Esperando no ponto, em companhia de um travesti. Ela estava de vestido florido, ele de short jeans minúsculo e agarrado que o incomodava no andar. Maristela tapava a brisa com um sueter azul claro, ele com uma justa e curta blusa de malha acompanhada de uma jaqueta também jeans. Seus cabelos eram longos, naturalmente lisos e negros, os dele curtos, com manchas louras, um enrolado indefinido...
Uma luz despontou no começo da rua e o travesti veio na direção de onde ela estava:
- Ai! Que ônibos demorado!
A seta piscou anunciando que ia dobrar à esquerda:
- Aaah! Não acredito! Ainda não é esse?!
- Acho que não.
Maristela sentiu-se sem cultura, estava ali, ao lado de um tipo de criatura entre as que mais sofrem preconceito no mundo, alguém que provavelmente já tinha vivido o dobro de sua vida, um homem (ou mulher, como desejar) que não tinha o que perder para a vida.
Era daquilo que precisava, VIVER. Só assim sua vida passaria a significar algo para alguém, para o mundo. Não se tratava de repetir o que aquele travesti fizera. Tratava-se saber o que queria, definir seu futuro e esforçar-se para que se tornassem realidade todos os seus sonhos. Não foi sentado, esperando o dinheiro dos pais que Marcos Pontes chegou à Estação Espacial, que Carol Castro havia se tornado uma excelente atriz, que Edson Celularia tinha conquistado o Brasil através da Globo.

Ainda caiam aquelas gotas quando o taxi deixou a jovem no portão do condomínio.
Ela correu pelas vielas até chegar em casa. Liberou rapidamente as portas e sentou-se na frente do computador. Abriu um arquivo de texto e começou a teclar tudo aquilo que a sua mudança de mundo, pelo menos por um dia, tinha lhe proporcionado aprender e observar. Não poderia variar sua inspiração em um momento de ideias saturadas se não tivesse ido entregar seus velhos brinquedos naquela instituição de caridade em plena favela.

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Olá, olá, olá pessoas!
Estou aqui graças à cozinha. Minha mãe me mandou para lá e eu voltei com a ideia desse texto.
Tenho mais uma coisinha para compartilhar com vocês: criei um Flickr . Algo que eu gosto de fazer de um jeito que me dá menos trabalho do que o blog, porém, não mais prazer!
Espero que gostem!

8.7.10

Camareira

Camareira. Essa é uma profissão misteriosa.
Imagine você que camareiras são pessoas desconhecidas, que entram no quarto que você estiver hospedado (a) no hotel, mexem nas roupas de cama que você usa, nas toalhas que você se seca e sabe se lá o que passa por sua cabeça enquanto arruma as coisas que nós bagunçamos.
Estou pensando isso por estar, nesse exato momento, sobre uma cama que uma dessas mulheres (é... homem são incomuns nessa profissão) arrumou.
Como não poderia deixar de ser, arrumou quando ninguém desta família estava presente.
Fico imaginando agora o quanto da nossa vida ela pode saber.
O par de malas e as três camas com resquícios de gente que dormiu, as toalhas molhadas por secar no banheiro, os petiscos trazidos de casa, as roupas penduradas no guarda-roupa, as bolsas semi-abertas em cima do criado-mudo...
São tantas coisas que podem ser descobertas. E ao mesmo tempo, nada. É como a gaveta de criado-mudo aberta, de Mario Prata. (Procure ler "Minhas Criado-mudo").
A camareira vem, arruma, vai embora. A gente vem, bagunça e vai embora. E mesmo com tantas intimidades expostas, nós provavelmente nunca nos veremos nem saberemos algo concreto. Estranho, não?!

9.4.10

Tomo agora esse veneno

Queria saber o que fazer nessas horas. Onde posicionar seu coração, fora da estante, mas fora do pedestal também. Em algum lugar onde não tivesse espinhos e nem algodão. Tenho vontade de ter forças suficiente para fazer a escolha mais sensata, e gostaria de prever o futuro para saber quanto tempo levaria para nos recuperar. Só que mesmo que eu queira ser egoísta, algo me diz que, mesmo que seja por mim, não devo tocar nos assuntos da vida, e sim deixá-la guiar-se por si só. Mas esse meu racionalismo todo me atrapalha. Quando nunca se imagina, as coisas acontecem. E nem sempre acontecem na ordem que gostaríamos que acontecessem... Nem sempre acontecem da FORMA como gostaríamos que fosse. Preferia sonhar, porque sonhos não dão trabalho e imaginações não tem limites, nem crenças, nem distâncias. E eu também não tenho preguiça de imaginar. O que mais desejo é crescer. Fazer nosso futuro valer, na felicidade de cada um, mesmo que há anos luz de distância. Quero mais é poder contar minhas histórias mirabolantes e rir dos desacordos de uma conversa. Quero ajudá-lo a ser melhor por si mesmo. Então, se por um acaso eu vier a nos atropelar, perdoe-me por antecedência.

11.3.10

Relato de um apaixonado

No mais escuro fogaréu sinto-me com os olhos tapados por mãos que pressionam minhas pálpebras e que esquentam ainda mais. Queimo as solas dos meus pés descalços a procura do caminho que será capaz de me levar ao fim, ao destino predestinado, onde os monstros dos meus pesadelos tateiam o ar e o chão à minha procura, para me devorar e ainda assim continuarem famintos, para tragar com ferocidade as próximas vítimas de um ou outro baseado, uma ou outra picada, uma ou outra morte. E mesmo assim caminho apaixonado, ao som do silêncio do furacão onde colocaram minha cabeça. Fungo profundo e sinto o cheiro agradável da minha própria carne podre, mesmo estando cheirando a talco que mamãe trouxe de Paris. Uau! Vou flutuando nesse vento de levar varal, my brother! Uou! Vou levado pela brisa...

7.3.10

Prenda-me quando quiser


Eu estava parado na porta do teatro ouvindo Ode to Joy, de Beethoven. Só ouvindo.
Mas eles resolveram mostrar serviço. Fui tirado do êxtase e puseram-se a me apalpar. As notas ecoavam na minha mente, como nenhuma outra música teve o poder de me fazer sonhar.
Queria poder entrar no teatro, mas todos fugiriam de mim e da minha aparência, e do meu cheiro, e da minha reputação, e da minha falta de sanidade. Mas eles é que me imaginavam louco. Eu sabia que estava são porque podia pensar e achar o que eu quisesse.
Só que bem naquela hora eu fui arrastado para próximo da linha do trem e fui revistado. Nada encontraram em mim. Até porque eu nada possuía como ainda não possuo. Só o que tenho é a mim mesmo, e a minha consciência.
Talvez eu tenha sido preso por não ter nada e por não fazer nada. Apenas vadiar pelas ruas da cidade bela, com meus semelhantes empoleirados na ferroviária, e na rodoviária, e próximo ao prédio grande da prefeitura.
Pode ser também que eles tenham me prendido porque queriam me ajudar, mas os coitados não sabem como é aqui dentro... Sou obrigado a sentir o cheiro do mofo durante o dia todo, e meus colegas de cela me batem, só porque eu não posso rebater. Só porque não posso vê-los.
Ou então me prenderam porque eu falava, já que eu não preciso de meus olhos inutilizados para falar. Mas se me prenderam por isso, saibam eles que eu ainda posso continuar pensando. Minha mente não possui algemas.

2.3.10

Aquela que esperava por ti

Tu estavas em meu ventre, aquele que eu acariciava a cada dia e ansiava para que logo estivesse liberto de ti, porque só assim eu poderia tocar-lhe diretamente e acalentar-lhe nas noites que estariam por vir.
Eu sempre esperei pelo momento que estaríamos na cama do hospital e eu poderia pegá-lo em meus braços cansados do esforço para que nascesse. Já teria lhe dado um nome e não me importaria com quem mais estivesse em volta de nós. Eu iria abraçar-te e amar-te como já o amava quando estava dentro de mim, e como seria para o resto da vida, faria parte de mim.
Talvez eu é que tenha me precipitado em amá-lo e agora sinto o remorso por não ser capaz de te conter em mim. Fiz-te sofrer, um tanto que não sofrerias durante a vida toda, quando foi despedaçado.
De nada valeram os alentos e carinhos meus. De nada adianta agora eu me culpar, mas assim será para o resto de minha vida, até que possa te encontrar e proferir as palavras que meu coração te disse, usando meu sangue para te alimentar.
Tanto alimento jogando fora, enquanto tu poderia estar aqui, agora, ao meu lado e eu estaria ocupada em agradar-te, não teria tempo nem porquê te direcionar tais palavras.
Meu peito agora sofre, meus seios estavam prontos para receber-te e eu iria posicionar-te em meu colo, e só mais uma parte de mim seria capaz de te saciar.
Agora não tens mais apetite, não podes mais abrir teus olhos cheios de angústia e medo de mim.
Logo de mim, aquela que talvez um dia, tu virias a chamar de mãe. Só que eu não o pude conter em meu berço natural e o expeli, antes que pudesse se formar totalmente.



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Desculpem a ausência mais uma vez... tenho entrado e comentado quando dá.

22.2.10

Um pouco de realidade

Finalmente venho eu colocar um pouco de realismo neste recinto.
Há alguns dias eu estava sentada atras de uma garotinha na igreja e ela, muitos sorrisos depois, por minha parte, resolveu conversar um pouco comigo:
 - Posso te contar um segredo?
 - Pode!
 - Mais tarde eu vou comer chocolate! - susurrando no meu ouvido.
 - Hum!! Que delícia, heim?!
Ela se virou para frente e continuou saracuteando, para o desespero da mãe.
Foi então que me veio um pensamento. "Crianças são tão puras!"
Uma doce inocência que nós vamos perdento com o passar dos anos e vamos nos poluindo com conhecimento negativo.
Lembro-me que tinha minhas desavenças com a melhor amiga, mas no dia seguinte sempre falava com ela, como se nada houvesse acontecido. Provavelmente também contava segredos assim, aos quatro ventos. E ainda hoje não tenho segredos... Nem para amigos, nem para os colegas, nem para meus pais.
As coisas se tornam mais fáceis quando não precisamos ocultar algo que pulsa dentro de nós.
E sendo assim infantilmente inocente, eu imagino que nós seríamos muito mais humanos.

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Finalmente um pouco de verdade verdadeira nesse blog!!

17.2.10

Outono da Saudade


Rua abaixo descíamos com o vento chicoteando os nossos rostos com nossos cabelos, e espremíamos os olhos para não entrar ciscos. Com sorrisos largos esbanjávamos gargalhadas e os carros passavam ao nosso lado observando o prazer que sentíamos em dividir uma bicicleta.
Parecia um pouco incomum a garota pedalando e o menino apoiado sobre a roda traseira e suas mãos sobre os ombros dela. Enquanto escorregávamos a pressão dos seus dedos aumentavam, e a adrenalina corria solta por nossas veias, em uma louca aventura juvenil!
Naquela cena invertida não nos preocupávamos com freio, viaduto, automóveis ou pedestres. Só pedalávamos à toda velocidade, com uma trilha sonora de rock soando em nossos ouvidos.
Quando alcançamos o fim do viaduto, olhamo-nos nos olhos, com aquela facilidade infantil em ser sincero, e rimos sem saber por quê.
Alguns conhecidos talvez estivessem passando por ali naquele fim de tarde alaranjado de outono quando, segurando cada um de um lado do guidão, subimos a ladeira caminhando lentamente. Lá em cima, as mães esperavam preparando a janta, o banho, as roupas e mais tarde a cama.
Crianças pré-adolescentes, jovens bebês. E hoje somos dois adolescentes ocupados cada um com seu curso de desenho, escola em período integral, curso de línguas aos sábados, encontro com os avós nem tão dispostos assim...
Só que o importante é estar aqui. Não nesse quadrado onde escrevo esse texto, no meu coração, ou mais do que isso, nos nossos cérebros.
E éramos duas crianças de doze anos, ouvindo músicas coloridas, comendo balas dançantes e dançando doces melodias. Em um bailado de bike, video game, pc, iPhones e iPod's.
Derreteu-se nosso tempo, nossa amizade desandou, as ideias criativas saíram da fôrma.

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Ciao! Como estão?
Gente, estou muito feliz com o crescimento do blog que ultimamente tem ganhado bons seguidores!
Peço-lhes que não se limitem só a elogiar e tal. Dê uns toques bacanas, em coisas que eu possa melhorar, porque vocês merecem bons textos!

Obrigada pelas visitas e aos mais antigos aqui, dêem uma olhada nos blogs dos novos seguidores e vice-versa!
Beijo grande!

4.2.10

Qual quer? - Paixão genérica

Perdidos em uma caixa qualquer, em um armário qualquer, num cômodo qualquer, escritos com uma caneta qualquer, num dia qualquer, estão meus textos mais absurdos. De promessas inusitadas e improváveis.
Sobre um amor qualquer, por um garoto qualquer, d'um lugar qualquer. De uma manhã que se quer... Esquecer.
Uma garota qualquer, de uma cidade qualquer, numa cama qualquer, numa posição qualquer, escrevendo para um alguém qualquer.
Seja o alguém quem for. Escrevo. E lá fora relampeja, enquanto eu choro sobre a mesa.
Quando numa noite qualquer, andando em uma rua qualquer, usando uma roupa qualquer, sigo em um caminho qualquer.
Bato à porta do qualquer, olho nos olhos do qualquer e ele leva um susto qualquer, porque o abraço... Não é um abraço qualquer!
Mais uma história qualquer, depois de um sonho qualquer, pego em um papel qualquer e inspirada por um fato qualquer, jogo as palavras... Em um lugar qualquer!


Versão final escrita em: 28/01/10

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Não é poema, mas dá pra cantar. Tente! De verdade. Pode ser com uma melodia qualquer!

27.1.10

The fear lonely


Escorre sono dos meus olhos mas eu não temo o perigo, mesmo que esse perigo me perfure o peito e faça-o despedaçar como barro secando ao Sol.

Você continua na minha lista dos favoritos. Aquela repleta de pessoas que eu não converso muito. Continuo e até imaginando que eu talvez não esteja em lista nenhuma. Como aquela que não cheira nem fede, não é assim que diz a sabedoria popular?
Estou numa banda com pratos estridentes batendo em minhas orelhas e meu coração bate firme como um tambor. O instrumento dos mais comuns numa banda marcial e o responsável por marcar.
Meu medo está para trás, pisoteado pelas bailarinas que vão á frente.
Como num passe de mágica você surge ao meu lado, reluzente de olhar confiante. Pega-me pela mão que solta as baquetas. Seguimos em linha reta, em direção ao pôr-do-sol mais belo que já tive o prazer de presenciar. Se eu estivesse pensando, naquele momento, ia imaginar que até o ridículo se faz belo quando temos com quem apreciar!
Borboletas rodeiam-nos. O penhasco não me assusta. Quando me aproximo de você... Sua imagem se dissolve feito açúcar na água. Mais uma miragem em meio aos meus longos devaneios.

Sonhos meus, distantes que estão, derramando sobre a mesa gotas espessas. E eu queria apenas, alguém que percebesse que eu tenho sorrisos diferentes em cada situação.

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Queridos seguidores, há quanto tempo não escrevia aqui?! Hehehe! Se for ver, nem tanto assim, mas o suficiente para me dar saudades desse lugar, que não existe e que ao mesmo tempo pode estar em qualquer lugar do mundo.

Foto: Inês Palma "Trata-se do Pôr-do-Sol no Pólo Norte em que a Lua está no seu ponto mais próximo da Terra" retirada de Giographicae

13.1.10

Cadência magia

Mais uma vez ao ritmo do coração, e aqui estamos nós. O salão é nosso e o público desaparece. Apenas nossos corpos se movimentando de lá pra cá e nossos olhares perfurando um o do outro.
Os solados escorregam levemente pelo chão de madeira encerada enquanto você abotoa meu tronco em seus braços tensos. Lá fora cai a neve, enquanto aqui não precisamos de uma fogueira nem de algo parecido!
A cadência dos nossos corações nos aquece a face e faz enrubecer a pele maciça de suas pernas ágeis.
Cadeiras afastadas, luzes sobre os bailarinos, músicos a postos e instrumentos sendo explorados.
Os fios de cabelo misturam-se ao suor da testa lisa. E dentro deste cérebro nada mais se passa. Concentramo-nos apenas nos movimentos que nos fazem voar baixo pela pista.
Impossível descrever com precisão o que se passa em nossas veias enquanto elas são lavadas pelos membros de um lado ao outro, recheadas de adrenalina recém produzida.
A incapacidade ao escrever mas não em sentir intensamente o quadril se remexendo de lá para cá. Para frente e para trás. Ruflam os tambores e a dança continua.
A platéia, antes boquiaberta toma a pista e juntos levamo-nos ao delírio com tantos sons, movimentos e olhares numa única noite.
Depois de uma tarde de ensaios numa cidade argentina, iluminada por tochas...


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Devo comunicar que quando se trata de escrever sobre coisas intensas demais, prefiro as frases curtas, enquanto descrevo as coisas e partes, às vezes pulando algumas.


Espero que gostem e deixem seus valiosos comentários!

9.1.10

Mas... (Parte IV - Final)


- Eu sei que você não liga pra isso, mas custa ir à festa. Pela sua mãe!

- Vinícius, não adianta discutir. Você vai me dar cobertura e pronto!

- Sabia que tenho amor à vida? Diferente de você...

- Mas pra quê serve tudo isso? Minha mãe podia fazer uma festa pra ela. Agora, eu? Ah, obrigada! Recuso-me a participar desse teatro.

- Por que você não pede pro Dougie?

- Hã?! Aquele tapado não sabe mentir. Sem te chamar de mentiroso, ok?!

- Ta bem. Tu sabe que eu gosto de uma aventura, né?! Mas será que eu não posso conversar com a tua mãe pessoalmente. Quero só ver a cara da tia na hora que eu der a notícia. Ha! Ha! Mó barato!

- Isso, isso! Divirta-se enquanto o seu lobo não vem...

Era simples. Só mais alguns dias e eu poderia finalmente sair desse mundo todo cor-de-rosa e bordado por mãos de fadas. Não teria mais o tédio da minha mãe pegando no pé por causa das calças rasgadas, da música no último, dos livros macabros e das camisetas largas. Desfrutar da liberdade e só querer uma coisa nem tão simples assim: mudar o mundo!

Conseguir um emprego na antiga agência de publicidade que meu pai trabalhava tinha sido mais do que uma vitória, mas uma conquista que me fez pensar que mais importante do que uma festa de debutante mimada, é lutar por um ideal muito mais carente de adeptos do que uma diversão com amigos nada presentes!

Meu presente de aniversário seria algo além de camisetas bonitinhas, kits de maquiagem, LP’s de bandas populares e canetas fofas. Seria poder viver no mundo, para o mundo e com o mundo!

Adeus passado!

Devo dizer que exatamente às três horas do dia vinte e três de novembro de mil novecentos e setenta e três, meu pai foi me buscar no portão de casa. Era o dia do meu aniversário e seu presente para mim foi me levar até São Paulo, onde eu começaria a lutar por um Brasil livre da ditadura militar.

Vivi sem mãe desde os quinze anos e não posso dizer que me arrependi. Pois hoje eu não estaria aqui para contar a vocês como um adolescente pode salvar o mundo. Porque afinal, adolescentes também pensam!




Não viu o conto inteiro?
Parte I
Parte II
Parte III

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Finalmente, ou não, chegamos ao fim desse conto!
Espero sinceramente ter surpreendido vocês. Se perceberem, a playlist que eu coloquei no post passado tinha a ver com o estilo de música da nossa personagem principal. E as bandas são as da época em que se passa a história!
Deixem seus comentários, por mais simples que sejam. Só assim saberei a real opinião pelo meu texto!!




Ps.: Dessa vez estou sem foto. O upload está demorando muito. Edito a postagem qualquer hora dessas...

4.1.10

Mas... (Parte III)


 - Mari, a Julinha te ligou e disse que faltou hoje porque os pais foram viajar e ela passou mal.
 - Humpf! E de que adianta? Ligar agora... Eu tive que apresentar aquela droga de trabalho sozinha. Sabia que fui eu quem fez ele inteiro também?! Se ela ligar de novo diga que eu não estou, por favor.
Sempre o mesmo ritual. Largar a mochila em qualquer canto do quarto – que dessa vez deve ter sido limpo pela Dora, a assistente da mamãe -, colocar um som do Queen, e me jogar debaixo de um chuveiro com a água muito gelada.
Enquanto me deliciava com mais uma das coisas simples que me dão prazer o telefone tocou e eu sai correndo com a toalha pendurada no ombro, pingando água e no ritmo do rock que tocava. Atravessei o quarto correndo me apoiando nos móveis.
Escorreguei e caí enquanto puxava o telefone do gancho.
A voz masculina do outro lado fez disparar meu coração! Não, não. O leitor pode achar que era meu namorado. Mas não. Até porque não tinha um. Na minha opinião ainda era muito cedo pra isso. Tratava-se do senhor meu pai, que eu não via há um mês, enrolada que estava com as ocupações que minha mãe propositalmente me impunha!
 - Alô! Pai! Mãe, deixa que eu falo com ele... Por favor.
 - Vê se não demora senão vai alagar o quarto.
 - Mãe!
 - Alô! Marina?!
 - Oras pai, que outra filha você tem?
 - Ha! Ha! Ha! Sempre de bom humor!
 - Você acha? Que bom... Bem, vou ser breve porque você deve estar muito ocupado, como sempre, aí na redação! É que eu não sei se a mamãe te mandou o convite. Pr’aquele meu aniversário sabe?
 - Sei, você sempre reclama dele... E sim. Sua mãe me mandou o convite.
 - Ia te pedir pra não ir...
 - Hã?! Mas tua mãe vai me colocar na cruz por isso, sabia!
 - Não. Se ela colocar vai fazer isso com nós dois, ok?!
 - Ok! Combinado então. Te busco no dia?

 - Sim. Às três!




Não conferiu as partes anteriores?


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Bem, espero que continuem gostando e deixando seus comentários por aqui!
Ainda não disse, e como dessa vez não tenho muito o que falar... As fotos que ilustram o conto "Mas..." foram tiradas por mim mesma, aqui em casa. Contam com uma edição no Word! Hahahah! Já que eu não tenho muita paciência e nem programas de Photoshop!


Um abraço e bom começo de ano!

28.12.09

Mas... (Parte II)




Como se não bastasse todas as minhas infindáveis provas bimestrais eu ainda estava tendo que encarar toda aquela patricísse de superarniversário.
Na verdade eu nem tinha tanta coisa assim pra me preocupar. Minha mãe já tinha passado um ano se encarregando das mais diversas frescuras que uma festa de debutante pode necessitar.
“TOC! TOC!”
 - Filha, posso entrar.
 - Depende...
 - Do que?
 - É da festa?
 - Não.
 - Comida?!
 - Sim.
 - Então entra!
 - Preparei um lanche... Será que dá pra gente conversar? Eu tenho que resolver algumas coisas.
 - Você tem? Legal. Eu também tenho que resolver quanto é log de 0,001 na base 0,0001.
 - Mas... Marina, você sabe que isso é importante!
 - Hum?! É importante desde quando? Você acha que uma festa de aniversário vai resolver quantos problemas? Ah mãe! Me poupe!
 - Ok! Você ta muito estressada agora...
 - Agora não mãe! Quanto a esse assunto eu SEMPRE estarei estressada.
E como vocês podem perceber, mais uma discussãozinha por causa desse bendito aniversário.
Eu gostaria mesmo de saber o que se passa na mente da minha mãe. Quantas pessoas estão passando fome pelas ruas dessa cidade? Quanto ela está gastando nessa parafernália toda? Será que não dava para ela aproveitar toda essa bonança que a cerca pra ajudar quem realmente precisa?
Pena que pensar assim não vai me fazer mudar o mundo, nem tampouco adiar a data do meu aniversário...


Não viu a parte I? Está aqui ó: AQUI


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Galera! Estou muito feliz que tenham gostado da primeira parte do texto! Isso realmente tem a ver comigo, que não tive minha festa de quinzes anos em 2008 mas não me sinto arrependida por isso!
Estou com o restante pronto mas ainda devo dar uma pesquisada pra ver se eu não coloquei algumas coisas que não teria muito nexo se juntar tudo.

Por enquanto fico aqui, muito contentinha com os últimos comentários! E valeu a pena reclamar pelos comentários. Hehehe!
Aos ocupados e ocupadas, não se preocupem, eu compreendo bem!
Um abraço e fiquem de olho que por aí vem mais!


Desta vez prometo deixar o template novo até ano que vem, hein?! ;)

23.12.09

Mas...



    - Mas mãe!
 - Nada de reclamações garota! Você vai completar quinze anos e não tem cabimento não fazermos uma festa de arromba para comemorar o aniversário da mais nova debutante! S’imbora!
 - Mas...
 - Mas nada! Quando eu tinha a sua idade o meu maior sonho era de fazer uma festa gigante e convidar a cidade inteira, mas seus avós não tinham condição. Então a sua festa...
 - Minha festa nada mãe! Isso é mais pra você do que pra mim. Quem está mais empolgada aqui? Só porque agora a gente tem dinheiro não quer dizer que você TEM que fazer uma festa pra mim. Você sabe que não faz meu tipo...
 - Eu? Oras, Pois saiba que a senhorita vai acabar gostando e muito desse mimo todo, certo?
 - Não. Errado.
Nesse momento saí da sala querendo atirar os vasos de vidro em quem aparecesse na minha frente. Subi as escadas correndo e passei pela porta do meu quarto tropeçando nas coisas pelo chão. Calcei meu All Star mais sujo (leia-se o mais confortável), vesti um jeans e uma camiseta largos e estava pronta pra sair quando “mamãe” se postou na estrada do corredor dos quartos.
 - Você vai assim? ASSIM?
 - Qual o problema, além de ir a um lugar contra a minha vontade, pra resolver problemas que nós poderíamos evitar e organizar uma festa que eu não quero ainda tenho que me embelezar?
 - Não exatamente, mas vai provar um vestido com essa roupa minha filha?
 - Sim.
Acho que ela estava começando a ceder. Me deixou continuar do jeito que estava, mesmo com o nariz franzido.
Saímos para a missão quase impossível. Encontrar alguns vestidos que eu não achasse tão ruim assim pra minha festa de quinze anos.
Humpf! Debutante... Grande coisa!


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Resolvi oferecer a vocês, leitores, algo além de textos sobre meus sentimentos. Trata-se de uma série de postagens (talvez cinco) que juntas resultam em um conto, que como vocês podem imaginar será diferente pelo fato de eu nem sempre deixar claro o que eu penso. Naquele simples ritmo de tentar fazer vocês pensarem! Espero que gostem e sigam até o fim!


Devo dizer que ultimamente tenho sentido falta de comentários... Você que aparece por aqui eventualmente ou com frequência, deixe seu comentário e faça dessa pobre blogueira, uma blogueira feliz!


Abraço!

19.12.09

Olhar 24






Por que teus olhos são tão sinceros? Por que eles me perturbam e invadem meus sonhos querendo vingança?
Já não suporto mais, o tendo durante as 24 horas do dia, sete dias por semana, 31 dias no mês e 365 dias no ano, sobre mim, observando cada passo, palavra, pensamento, atitude e sentimento que este pobre ser dá, diz, pensa, faz e sente.
Queria poder furá-los e viver, finalmente sem uma vigilância que não fosse a divina! Gostaria de roubá-los e colocá-los nas minhas órbitas, vender a um contrabandista ou doar a alguém necessitado.
Não me importa o que eles observam, e sim o modo como o fazem. Espremem-se quando estou distante demais, arregalam-se quando me aventuro por aí, piscam depressa quando surpreendo e derramam lágrimas quando cometo crimes.
Também não me preocupo com o que o dono desse par de olhos pode me fazer, afinal, ninguém o vê. São mais cruéis do que os de uma mãe para seus filhos, mais piedosos do que os de um policial rude e mais firmes do que os de um detetive.
Porém não são os olhos dos governantes, nem da polícia. Esses se escondem de mim. Fecham-se assim que eu me faço ver.
É por isso que não temo nada, nenhum castigo que possam me impor. Porque eu sei que nada do que eu faço é tão grave assim. Não aqui.
Ainda bem que o par da outra consciência está cego, já que esses, somente esses, olhos da minha consciência sã, são capazes de me intimidar.




Olho original da foto:
 
Pertence à Fernanda, minha melhor amiga!

14.12.09

Tomando os pensamentos

A cada passo que dou sinto-me mais longe de ti, andando na direção contrária do que dizem os meus sonhos.
Não posso evitar meus devaneios infelizes que me culpam pelo não feito, por coisas que eu sabia que devia ter feito. Nem preciso parar para pensar, porque já parei somente para aproveitar meu tempo pensando.
Me neguei a dizer, não por orgulho, mas por incapacidade de ser fiel a mim mesmo, mas agora não posso negar o que me passa pela mente. É o peso de uma consciência, do acúmulo de peças de quebra-cabeça mal encaixadas.
Me falta o ar, mas não a covardia. Falta o chão, mas não a vontade. Me falta forças, mas não a culpa.
São castigos merecidos as abstinências que agora sofro. Não tenho braços quentes que me abriguem, não existem colos a minha espera, nem ombros para servirem-me de apoio. Não posso contar com a mesa de um bar porque ainda sou um menor de idade. Meus membros amolecem vagarosamente e meus olhos pesam profundamente. As lágrimas passeiam pela casa das toneladas... Parecem tijolos quebrados que tiram sangue dos meus olhos.
Afogo-me em lembranças que não aconteceram e em projeções mal coloridas, nas minhas andanças pela casa, à procura de distração, mas tudo me remete a ti.
Desculpe por eu ser estúpido dessa forma. Me condene que eu entenderei, por toda a vida vou me lembrar desse episódio de paixão adolescente.

--

E dessa vez, depois da descoberta de que não se gosta de alguém, tomo aqui as dores (ou melhor dizendo, os pensamentos) de alguma pessoa muito minha amiga, que já me inspirou em outros post's e agora me faz sentir-me muito mal. Mas eu sei que isso vai passar pra ele(a) e eu também ficarei bem.

Ps.: Inspiração com: Pensa em mim - by Darvin. [na playlist], que aliás, eu devo ter escutado umas dez vezes para escrever isso. ^

2.11.09

Repugnantemente insane – Superficial


Sabe meu bem, a primeira vez que te vi quis correr pelo corredor afora e vomitar no primeiro saco de lixo que surgisse pela frente. Quis jogar-lhe as pastas que segurava em meus braços e nunca mais tocá-las.
Não, e você nem tinha se tornado o homem praticamente mendigo que é hoje. Mas desde quando você pôs os pés dentro daquele escritório, eu estive enojada, a ponto de querer largar tudo e não precisar mais te ver.
Meus motivos para te odiar? Você usava um perfume barato, na tentativa de surpreender. Sua gravata verde musgo nada tinha de fashion combinada com a camisa branca (que por sinal estava com o colarinho amarelado). Seus sapatos gastos. Eram marrons com as calças pretas. Que absurdo! A mochila nas costas, bem estilo “Sou office-boy” era combinadamente ridícula.
Sempre rio quando me lembro do dia, há pouco mais de uma semana, que você aceitou sair comigo para jantar. Ma pude acreditar em tamanha ingenuidade. Você realmente achou que eu me interessaria por ti? Ha! Ha!Ha! Faz-me rir.
Só o chamei aqui porque sou delicada e não quis que fosse humilhante o que tinha para te dizer. Agora, por favor, saia da minha mesa de jantar. Ah! E não esqueça de levar o prato quando levantar!


PS.: Há muito tempo querendo usar a última frase em alguma postagem.
PS2.: Não sou nojenta assim!

29.10.09

Resto do que deixou de ser - Onomatopéias

A tempestade desaba, os gritos ecoam pelo corredor. O acusado vai suavisando a voz, curvando os ombros para baixo. Olhos no chão, sobrancelhas frisadas e um gemido. "Hum!"
Agora apenas escuto. Não me atinge mais, não sou mais a garota que chorava por discussões alheias.
Os álibes ainda estão por ser contratados e pagos. A corda bamba já não é mais segura, tiraram a rede e a espada aponta para a prancha que leva ao mar, que está às costas. Passos para trás. "Tunq! Tunq!"
Não trata-se de egoísmo, ainda continuo envolvida nos problemas dos outros, ainda vivo sorrindo cá e chorando lá.
Tudo se aquieta de repente, depois do barulho da gaveta se abrindo e algo de metal ser retirado dela. "Vrãã!"
Discussões sobre coisas que não devo resolver entram por um ouvido e saem por outro. Estou treinada, depois de quase 16 anos, a não sofrer antecipadamente. Minhas filosofias não possuem nada de mirabolantes, não nasci com criatividade para ser um Quincas Borba. Só tento aprender com os erros dos outros. Se fosse perfeita não estaria aqui, a vos falar.
O réu atravessa a porta. A camisa está furada na altura do coração. Do furo brota sangue, mas mesmo com a proximidade do ser que se arrastou até meus pés, não me desespero. Cai morto. "Poft!"
Não é friesa o que sinto, nem gelo o que me tornei. Apenas uma jovem em fase de metamorfose, sendo o que restou do que deixou de ser.


PS.: Se não entenderem muito bem, leiam apenas as partes em branco. Seria como o meu perfil... Não sei bem.