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16.3.13

Paixão social


Às vezes, sinto assim, dentro de mim, um comichãozinho, uma curiosidade que vem não sei d'onde. Sinto vontade de saber o que e como as pessoas pensam e sentem. E em alguns casos tenho a necessidade de entender o porquê.
É uma sensação um pouco esquisita, confesso. Mas não desconfortável.

Hoje, o que quis saber é o que as gentes pensam (especialmente as mulheres), realmente, sobre relacionamentos. Sobre paixões e amores. Mas não quero saber o que elas imaginam ter certeza sobre o assunto. Me interessa o que está no subconsciente. Pode ser apenas uma impressão enganada, mas estou pensando que andam pouco preocupadas em estar com alguém porque realmente gostam. Parecem preocupadas apenas em ter. Há no ambiente uma coisa assim de "você precisa estar com alguém" que não me cabe na cabeça.
É socialmente confortável? É agradável ter uma pessoa à sua espera quando precisa compartilhar a promoção do trabalho ou a depressão do exame na universidade? É bacana mostrar pra galera que não está sozinha? Legal desfilar sua aliança prateada pelos bares da avenida principal dos jovens animados?
E quando não estão nessa fase de arco-íris e coraçõezinhos, ficam desgostosas, murchinhas, molenguinhas, reclamonas, consumistas, gulosas, revoltadas, poetas, cantoras, melancólicas, tadinhas...
Talvez não seja apenas uma tendência atual, e sim uma observação que só agora sou capaz de fazer. Mas, até onde procuram parceria pra si só? Onde começa a busca por um manequim a ser exposto nas vitrines da vida?

Em azul, como os telejornais, que procuram afastamento do tema discutido, questiono o que elas pensam. Se bem que não há necessidade. Sempre estive um tanto distante disso, causando até certo estranhamento. Mas gosto. Fica mais fácil dar uma de analista.


Playlist pra acompanhar:

5.12.12

O início do fim


Não, eu não preciso disso. Não agora. Já estou farta dos problemas por hora.
Tudo o que eu desejo é um pouco de apoio e compreensão. Eu sei que o mundo não é perfeito, que não é porque não está tudo mil maravilhas no momento que devem me passar a mão na cabeça. Mas isso agora não. Me recuso a ter que lidar com a irracionalidade de focar em coisas desobjetivas. Me recuso a suportar chantagens quando me esforcei para ser racional e argumentativa. Não quero ver jogada fora a minha retórica, vencida injustamente por falácias de mentes férteis em demasia. Me nego. Mas não me movo. Não por enquanto. Mas eu sei que devo reagir. Sofrivelmente tenho essa necessidade. De mostrar, pelo menos uma vez, que eu luto pelo que quero. Se já ainda não foi suficiente o esforço no decorrer desse ano todo, devo usar minhas últimas fagulhas de ânimo e não me deixar vencer pelo que - ou por quem - é menos racional.

22.2.12

Você é o que você compartilha

Todo mundo sabe que hoje, com o mundo em rede, os amigos estão ou podem estar "presentes" na nossa vida quase o tempo todo.
Esses amigos podem ser: os primos, os tios, os colegas da escola ou do trabalho e até mesmo aquele seu vizinho que quase nunca te cumprimenta enquanto espera o elevador, mas te adicionou no Facebook.
Porém, hoje vamos falar daqueles amigos de verdade, ou melhor, da nossa relação com eles.


O amigo de verdade é aquele com quem você realmente se preocupa. A pessoa que não vai te responder "tudo bem" só porque é mais conveniente. À quem deseja-se "Feliz Aniversário!" com toda a sinceridade e se preocupa em escolher um presente que seja "a cara dele". É dele que se lembra quando vê aquele filme, come aquela comida, viaja para aquele lugar. É de quem você ri sem se segurar quando o vê caído.

A pergunta é: o que você compartilha com esse amigo?
Uma verdadeira boa amizade é aquela útil. Que não se resume a dividir piadas e fofocas. Dois amigos ou mais são melhores quando te ensinam algo sério também, discutem política, economia, trabalho, educação, arte ou religião.

O que te faz lembrar do seu melhor amigo? Só uma piada? Ou aquele site interessante? (Que interessante seja bem interpretado como diferente de divertido).

Seja e queira amigos melhores. Dê um upgrade na sua rede. Compartilhe cultura, educação e política. FAÇA arte, política e etc com eles.






Interessantealize-se!

3.11.11

20 para os 18

Incrível como posso ser julgada como fraca. Incrivelmente triste perceber que eu sou capaz de pensar na hipótese ou realmente me afastar de pessoas que gosto para não vê-las idiotizar e me sentir incapaz de fazê-las perceber isso...

Triste perceber que eu sou incapaz de sacrificar meus ideais de bons e sábios amigos visando a continuidade de um relacionamento de amizade. Antes, me afasto ao ver o quão bestas algumas pessoas se tornam, sem dizê-las o que eu penso sobre seu comportamento.

Pior é ver as pessoas que não só bestializam a si mesmas, mas também influenciam colaborando para mais bestializações ao redor de si, e por eu ainda estar fisicamente perto dessas, sinto a bestialização de mais gente próxima a mim. Mais amigos que são tomados por essa espécie de  vírus contagioso que transforma as pessoas e nos afasta delas sem que elas necessariamente sintam nossa ausência.

São pessoas por quem eu sempre costumei nutrir um afeto belo e construtivo. Pessoas que eu, durante anos achei que poderia contar pro resto da vida. Gente como eu. Normal, ou quase isso. Pessoas com valores iguais ou muito parecidos com os meus, conceitos semelhantes. Mas que se deixaram influenciar por comportamentos fúteis, contagiar por pensamentos infantis.

Não que eu ache completamente ruim a ideia de ser para sempre uma criança. Mas acredito que há diferenças entre "não deixar a criança de dentro de nós morrer" e ser imaturo para sempre. Ser maduro não significa necessariamente ser velho.

Enquanto isso, continuo aqui calada. Fraca o suficiente para me sujeitar aos ideais idiotas de quem um dia eu acreditei que fosse igual a mim, mas forte o suficiente para suportar afastamentos.


Mas talvez seja só uma questão de mudança em MIM e não nos outros. Mudanças que nos últimos meses tenho notado o quão expressivas se tornaram. Mudanças trazidas pela idade. Pelo 18º andar que se aproxima. O tal amadurecimento. Mas isso é uma outra história...


--


O blog está de volta ao endereço original. =T

13.9.11

De onde vêm as experiências evolutivas?


"A felicidade bestializa. Só o sofrimento humaniza as pessoas."



Certo estava Mário Quintana quando fazia a afirmação acima. O ser humano, por si só, não nasce humanizado. Nasce inocente, mas não humano. A cada experiência que passa evolui um grau e aprende a necessidade de se tornar um verdadeiro ser mais que humano, um ser humanizado.Numa hipótese, imaginemos uma pessoa que nasce em meio a muito sofrimento. Desde cedo ela já aprende a sofre. Cresce humanizando-se.Poderia alguém com todas as felicidades ser considerado mais humano do que alguém que sofre? Mais diretamente: alguém mais bem visto pela sociedade porque é aparentemente feliz é alguém melhor do quem é apenas um pobre sofredor? A nossa sociedade de "seres humanos" parece não pensar que sim.Pois bem, aqueles que cresce sofrendo muito e quase sempre são tratados pela sociedade como não sendo mais seres humanos, podem ser muito mais humanos do que muitas pessoas que não sofrem.Me entende? Não? E eu também não tenho certeza que sim...

2.9.11

Mistura de sentimentos e pensamentos

Enquanto as vozes não se ouvirem mutuamente, as ideias não forem compreendidas totalmente e as diferenças não forem toleradas, não haverá paz.
Para toda evolução, uma revolução. Mas parece difícil uma revolução pacífica. Algo que não gere choros ou embaraços pode demorar ou NUNCA vir a surtir efeito. Sempre foi assim. E talvez sempre seja. Fere-se e se é ferido em toda luta. Seja ela física ou não.
Mas um dos piores ferimentos é aquele causado pelo desprezo de quem deveria compreender. Poucas coisas são piores do que aquelas que mais do que derrubar, tiram a força de se reerguer.
Amigo do desprezo é o achismo. Ele tapa a visão e faz pensar que todos os seres humanos devem ser iguais ou devem agir da mesma forma padrão. Um padrão criado por cada um.
O achismo descaracteriza. Força os "achados" a tomar uma ou outra decisão. Fere, enfraquece e faz estagnar.
E as feridas são líquidas, escorrem fartas. Causadas pelos achismos e intensificadas pelo desprezo.
Quem despreza as lágrimas incita o ódio.

28.6.11

Ainda seremos os mesmos, como nossos pais

Talvez hoje eles dirijam por aí tão preocupados que já não se lembram mais. Estão tão ocupados que não têm tempo para as memórias. Correm tanto para lá e para cá que estão sempre cansados demais para pensar no que viveram. E talvez, mas só talvez, eles tenham esquecido.

O tempo passou para eles. E também vai passar para nós. Irá nos embaralhar os momentos vividos, confundirá os nomes e as datas. E talvez nós também não nos lembremos.

Não nos fará mal lembrar, mas o tempo, o mesmo que passou, vai ser pouco. Vai ser repleto de afazeres e compromissos. Será cruel e nós nos tornaremos “cruéis” junto com ele. Nossa crueldade vai deixar nossos momentos vividos empoeirados em um canto obscuro das nossas mentes.

Já não pensaremos nos “problemas” que nos fizeram evoluir. Nas tempestades em copo d’água que nos trouxeram amadurecimento. E só lembraremos, de vez em quando, do que permanecer.

E talvez, só talvez, realmente esqueceremos muitas coisas. Mas talvez seja mais provável que prefiramos não lembrar.

5.6.11

Um passo atrás

Certa da fraqueza, de algo não exatamente certo.
Duro assumir à quem se dissera capaz, que não conseguiria fazer o planejado. Incomodante perceber sua incapacidade de agir do modo mais "cruel". Quando se quer e sabe o que fazer mas o tremor, o peito acelerado e o frio na ponta dos dedos impedem.
É... Sofia sabia bem do que era ou não capaz. Ou pelo menos achava que sabia.

E assim somos a maioria de nós. Sempre achamos que sabemos. Sempre achamos que pensamos ou planejamos do jeito certo. Até não conseguirmos fazer o que julgamos ter capacidade para.
Aí voltamos atrás e somos obrigados a reconhecer nossa fraqueza. Nosso ponto frágil. Pode ser duro, causar uma sensação de impotência ou para a menoria pode ser indiferente.
Frustrar-se consigo mesmo.
Pode não ser tão ruim quanto a decepção com outra pessoa, mas faz alguns tijolos cairem. Desestabiliza e de certa forma você perde a "fé" em si mesmo. Passa a não confiar tanto no seu taco.

Mas passa. Passa e nem percebemos muito bem o quanto demora. E voltamos a achar que somos capazes de tomar as atitudes julgadas certas mesmo em momentos complicados...

--

Me desculpo mais uma vez pela ausência?
Ok. Até eu cansei de mim mesma com essas desculpas.

14.5.11

Pequenas coisas, grandes problemas



A vida lhe era agradável, mesmo com os problemas comuns de uma adolescente, as coisas pareciam ir bem.
Sofia no momento só queria poder voltar às "coisas boas". E queria saber também o porquê, naquele exato momento, tinha que pensar por três. Três pessoas que de alguma forma seriam prejudicadas. Três num modo sintetizado. Três que ela devia pensar primeiro. Duas felizes e uma ferida ou duas feridas e uma completamente ilesa e enganada.
Sentia-se num mundo estranho, passando por uma situação incomum, algo que nunca imaginou que aconteceria com ela. Logo ela, que do alto de sua racionalidade não estava disposta a, mais uma vez, pensar pelos outros.
Sempre procurando não ferir ninguém ou tornar as coisas mais fáceis para os outros. Acabava se ferindo um pouco. Talvez, no final de tudo e de todas as coisas estivesse mais ferida do que todo mundo, mas não era com isso que se importava. Só procurava equilibrar as coisas. Mais com o cérebro do que com o coração.
Agora, ela não conseguia nem podia ignorar totalmente seus sentimentos. Não estava disposta a sofrer uma vez mais por pessoas que, como ela, também não eram perfeitas.
Será que não valia a pena enfrentar um pouco e ensinar a alguém que o mundo não será sempre do jeito que esse alguém deseja? Seria interessante mostrar que pessoas sofrem por coisas que também não fazem, deixar-se ser ignorante pelo menos uma vez. Só que essa não era Sofia. Ela não se deixava levar.

E assim, Sofia sofria.

4.4.11

Quem nunca teve ou terá?!

Às vezes a gente pensa que tudo seria mais fácil e leve se as pessoas não esperassem nada de você, se as expectativas delas fossem sempre baixas em relação a ti, se parecesse tão despreocupado com a vida, que qualquer coisa que fizesse fosse motivo de admiração.

Mas não é assim quando a sua vida inteira você sempre quis fazer do jeito certo, o seu melhor, o que todo mundo sempre achou que era algo nato seu (e por vezes você também)... Ou até mesmo quando a vida toda tudo parecia tão fácil!

Aí então chega um momento onde você deveria se esforçar o máximo porque o obstáculo é grande, onde você deve decidir a sua vida. Mas você não aguenta mais. Não tem mais ânimo para dar o seu melhor, todo o seu esforço.

E todo mundo esquece o quão bom você foi até ali. Só querem saber do quão suficientemente bom você ainda pode ser e quanto ainda pode dar de si para superar o tal obstáculo.

Bate um desespero, misturado com ansiedade, medo, vontade de jogar tudo para o alto... Mas as coisas não são tão simples assim. Porque há um outro lado de você mesmo que tem consciência e concorda com tudo o que eles dizem. Só que esse lado parece tão fraquinho, coitado...

16.12.10

Devia chamar abstinência


Finas gotas desciam daquele céu nebuloso. Escorriam pelas janelas dos carros que passavam e levantavam timidamente a lama que estava empossada ali por perto. Já passava das oito e meia da noite e Maristela estava na rua de um bairro desconhecido, esperando que um ônibus passasse para que ela voltassem, enfim, para o aconchego de seu lar.
Os pais deviam ter saido de casa, e provavelmente estavam em algum lugar onde não podiam atender ao celular. Lhe restava terminar o domingo assim... Esperando no ponto, em companhia de um travesti. Ela estava de vestido florido, ele de short jeans minúsculo e agarrado que o incomodava no andar. Maristela tapava a brisa com um sueter azul claro, ele com uma justa e curta blusa de malha acompanhada de uma jaqueta também jeans. Seus cabelos eram longos, naturalmente lisos e negros, os dele curtos, com manchas louras, um enrolado indefinido...
Uma luz despontou no começo da rua e o travesti veio na direção de onde ela estava:
- Ai! Que ônibos demorado!
A seta piscou anunciando que ia dobrar à esquerda:
- Aaah! Não acredito! Ainda não é esse?!
- Acho que não.
Maristela sentiu-se sem cultura, estava ali, ao lado de um tipo de criatura entre as que mais sofrem preconceito no mundo, alguém que provavelmente já tinha vivido o dobro de sua vida, um homem (ou mulher, como desejar) que não tinha o que perder para a vida.
Era daquilo que precisava, VIVER. Só assim sua vida passaria a significar algo para alguém, para o mundo. Não se tratava de repetir o que aquele travesti fizera. Tratava-se saber o que queria, definir seu futuro e esforçar-se para que se tornassem realidade todos os seus sonhos. Não foi sentado, esperando o dinheiro dos pais que Marcos Pontes chegou à Estação Espacial, que Carol Castro havia se tornado uma excelente atriz, que Edson Celularia tinha conquistado o Brasil através da Globo.

Ainda caiam aquelas gotas quando o taxi deixou a jovem no portão do condomínio.
Ela correu pelas vielas até chegar em casa. Liberou rapidamente as portas e sentou-se na frente do computador. Abriu um arquivo de texto e começou a teclar tudo aquilo que a sua mudança de mundo, pelo menos por um dia, tinha lhe proporcionado aprender e observar. Não poderia variar sua inspiração em um momento de ideias saturadas se não tivesse ido entregar seus velhos brinquedos naquela instituição de caridade em plena favela.

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Olá, olá, olá pessoas!
Estou aqui graças à cozinha. Minha mãe me mandou para lá e eu voltei com a ideia desse texto.
Tenho mais uma coisinha para compartilhar com vocês: criei um Flickr . Algo que eu gosto de fazer de um jeito que me dá menos trabalho do que o blog, porém, não mais prazer!
Espero que gostem!

3.10.10

Sobre a vida, dos outros

Espero, não tão ansiosamente assim, pelo dia em que poderei (ou deverei) entrar em uma escola, seguir seguramente pelos corredores e entrar na minha seção eleitoral. Entregar o documento ao mesário e cumprir o meu dever e direito de cidadã alfabetizada.
Enquanto não tenho tempo para tirar o título ou não sou obrigada a votar, apenas observo a atitude de um povo capaz de brincar com o seu próprio futuro, votando em um palhaço que sabe ele se tem capacidade de ler, quanto mais entender. Votando sem consciência, sem medo de ser infeliz.
As pessoas da classe baixa votam por medo de perder qualquer Bolsa Miséria, sem pensar que um candidato preocupado com educação e formação específica poderia render muito mais crescimento e desenvolvimento para o nosso país.
A elite decide pelo mais capitalista, o que visa lucro, privatização. E a classe média, bem... Na média. Entre a idealista, a assassina estrelinha e o privatizador.
Aqui estamos em um circo, onde boa parte dos residentes são masoquistas, gostam de sofrer na mão de governantes que "roubam mas fazem". Será mesmo que fazem? E fazem proporcionalmente ao que os impostos rendem?
Meu desejo é de, se não convencer, conscientizar o povo da existência de um mundo real lá fora.
Enquanto isso... Fico aqui esperando o segundo turno.

12.9.10

Eita mundo bão!

Eu tento, eu bem que tento socializar com pessoas que pensam diferente de mim pra tentar ajudar. Mas parece que elas não querem mesmo progredir.
Riem. Riem felizinhas, achando que o mundo, a escola, as coisas são só mais umas chatisses que elas têm que enfrentar de segunda a sexta e devem ignorar no final de semana colorido delas.
Sim, eu tento me empenhar em fazer as coisas para além de mim. Mas cansa, cansa a beleza, a cabeça, os ossos, a pele.
Não que eu tenha desistido. Só que desanima ver que as pessoas que farão o seu futuro pouco se importam para ele e que se importam menos ainda para o seu discurso reformado e transfigurador de realidade. Porque afinal, as coisas são muito mais fáceis do jeito que estão, sem o sacrifício de se empenhar por algo que parece tão distante, por alguma coisa que os pais já montaram e moldaram os filhos para se adaptar.
Escrevo agora em um verdadeiro momento de raiva com a minha geração. Será que é tão difícil assim se preparar para o que der e vier? Escrevo sem narrador, sem eu lírico. Neste momento sou eu mesma, Joyce, falando sobre o tipo de jovens adolescentes que eu convivo, que eu sou de certa forma obrigada a aturar sem ter espaço para lhes aconselhar... Afinal, quem sou eu mesmo, só uma mocinha realista e anormal.

É. Sou mesmo anormal! E muito obrigada pelo elogio.


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Esse ainda não é o meu texto sobre verdades conveniente. Volto daqui uns dias para postá-lo.

8.9.10

Que fez sorrir

Foi-se embora o sentido, a ideia do esperado enquanto dissolveram-se a palavra e o olhar. Deixou de ser insensível e cruel, percebendo que a força pode ser levada pela brisa, mas que pensamento é rocha firme.
Volte! Espere! Lute!

A ficha caiu-lhe lentamente e insistentemente seguiu sem palavras. Apenas pensamentos.
E quem imaginava isso quando era apenas brincadeira?! Quando era só imaginação?!

(16/06/2010)

E então, existem palavras sufocadas, pela dificuldade de se imaginar, pela conveniência de acreditar, mesmo no que é subjetivo.

(08/09/2010)

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É. Agora peço desculpas pelo post gigantesco da vez anterior. É a mais pura verdade. Tudo. Menos o nome da "Lola"
Estes, são só para dizer que passei por aqui. O segundo, é mais um resumo do que estou pensando em escrever. Aguarde!

29.8.10

Conversas de possíveis "nerd's"

Lola: Verdade... obrigada
e aí, você?? ocupada?

eu: Hum.. deveria estar.. mas não estou não

Lola: Normal...

eu:
Provavelmente se tivesse algum trabalho pra amanhã, imenso, eu estaria fazendo agora..

Lola:
Estou mais ou menos assim....
acho que eu estou ficando muito perdida ultimamente....

eu: eu estou é me tornando má aluna, isso sim
ficando sem entregar trabalho e nem ligando pra isso..

Lola: duas...
aham... isso é péssimo.... também não gosto disso... mas estou começando a me moldar a uma situação totalmente confortável que está me deixando cada vez mais desleixada...

eu: aham
do tipo de gente que me veria há alguns tempos atrás e diria: Ah! Mas pra quê ela faz tudo..
coisa mais careta querer dar uma de melhor aluna..

Lola: sei lá... desde que eu vi a Lúcia*, servindo pizza... eu fiquei meio assustada...

eu:
Hã?! Onde isso?

Lola: Ela era uma garota que eu considerava boa aluna, que eu cria que ia sair do ensino médio e partir para um centro de pesquisas... sei lá, algo do tipo...
ela abandonou a faculdade. E desde então eu fiquei pensando... putz, ela ERA boa aluna, talvez uma das primeiras... e isso não quer dizer nada aqui....

eu: Por um acaso é a que passou na Unicamp?

Lola:
Ela não vai receber um 10 por entregar a pizza mais rápido ao cliente...
Não sei se ela passou na unicamp...

eu: Nossa!!

Lola: Eu achei que podia deixar de tentar ser melhor....
e estou me ferrando...
não tanto quanto acho que uns ou outros se dêem mal... mas, como você, estou deixando de ser boa, pra começar a me tornar inexemplar.

eu: E o que é pior..
se alguém visse a nossa conversa ia falar que estamos chorando de barriga cheia... que é pura frescura, que o que a gente quer mesmo é se aparecer..

Lola: Mas, não sei se isso acontece com você (creio que provavelmente, sim), mas é como se meu cérebro estivesse programado pra aprender mesmo que eu esteja inoperante ou desligada.... assim eu CONTINUO tirando o que chamariam de boas notas... mas não faço por merecer... entende?

Lola: Diriam ainda...
"ah! não reclama..."

eu: Mas não pensam que o que a gente faz, ou pelo menos fazia era tentar ser melhor, se não pra nós mesmas, mas pro nosso futuro.
Para tentar ser melhor do que a maioria desse país, ou do mundo, quem sabe?!

Lola: E ajudar os outros a melhorarem...
não só um ou dois...
mas toda a sociedade em que nos encontramos...

eu: A maioria acha que os bons são bons por orgulho. Tudo bem que os bons podem realmente se orgulhar.. mas não se faz o melhor simplesmente pra chamar a atenção sem receber nada em troca

Lola: Por que pra nós muito vale uma contribuição....

eu: O que a gente quer é fazer o melhor pra todo mundo. Já que muita gente não se preocupa em melhorar, a gente tenta compensar, ou pelo menos fazer com que tenham vontade de melhorar

Lola: O que ocorre é que começamos até a nos sentir ruins ou não felizes por alguns desempenhos, por que simplesmente acham que o que somos - sim, por que SOMOS e não conseguimos mudar isso - somos, por que, como você disse, queremos aparecer e sermos jubilados e bajulados...
o que os outros acham... infelizmente começa a influenciar nossas atitudes...
que... como vamos percebendo... começam a piorar....
é como se estivéssemos sendo admitidas à um meio ao qual não pertencíamos até então....

eu: E ninguém nos critica de verdade por isso. Afinal, as mudanças parecem tão sutís

Lola:
É como se não querer melhorar pelo outro, contagiasse...

eu: As pessoas nos criticam por tentar ser melhor e quem sabe melhorar as coisas até pra eles mesmos
mas quando nos tornamos um deles.. é bom. é normal. é incriticável

Lola: é admissível...
é agrupável...
é o errado mais certo que existe

eu: isso mesmo
é essa a definição certa

Lola:
e o que foge à regra.... é estranho, louco, tonto, CDF, ....
ANORMAL

eu: é idiota!

Lola: sim, idiotas

eu: Me dá uma vontade tão grande de me tornar totalmente idiota, de novo..

Lola:
É como se VOCÊ ainda estivesse ai... num pulsar insano, soterrado por duras ideologias baratas modernas de que você não deve ser careta!
e esse pulsar verdadeiro... a única essência realmente sã de todo o seu ser... neste momento clama o mais alto que pode...
e... seus membros e demais extremidades reconhecem este primeiro dono... este primeiro ser controlador... o filósofo cru, nú e perfeito que aí existe....
é o que agora te domina....
e... é esse pulsar... essa chama de verdadeira sanidade moral... que a gente não deve deixar morrer... NUNCA... e sim alimentá-la...
pode ter certeza que a minha muito se alimentou agora....
podendo aqui encontrar semelhantes ideias e dúvidas... bem como, compreensões...

Obrigada, Joy!

eu: disponha!

--

Algumas coisas precisariam simplesmente ser ditas para todos os seres humanos.

19.7.10

True Colors

Eu sabia que eu estava me preocupando demais com você, não é?! Pouco tempo se passou. O meu preenchido de lembranças, em confusões de saudade e costume de pensar em ti. Mas é bom te ver sorrindo assim novamente, querida!
Por certo você já tem agora um alguém menos cheio de complicações, com AMOR para dar e vender. Um amor que eu me recusei a te dar nesse meu mundo de pensar, pensar e ainda assim, errar pensando em acertar.
Mas sou firme. Não acho que eu tenha errado, embora o mundo conspire, muitas vezes, a favor dos sentimentais. Afinal, é tão mais belo e colorido lutar pela felicidade, não é?! Lutar como casais de filmes, livros, novelas... Só que na vida, muitas coisas são em preto e branco, em escala de cinza.
Por um lado sinto-me melhor te vendo assim de braços dados com o pôr-do-Sol. E por outro, confesso, frustro-me ainda mais pela esperança perdida de que você fosse forte. Forte e paciente. Só que esses são realmente dons que nem todo mundo tem. Foi o desapontamento, a continuação dele. Afinal, quem desiste assim tão fácil não combina com mentes sonhadoras.
Então, siga em frente. Apenas, sem nenhum objetivo, sem cobranças a si mesma.

--
No final das férias me veio inspiração para escrever alguma coisa como aquelas de antigamente!

14.7.10

Political Seduction

As pessoas se esquecem de sorrir e dizem que é porque não sabem quais músculos mover. Mas quando alguém lhes faz cócegas, se aborrecem logo e as coisas se encerram por aí.
E assim são muitas outras coisas...
Justificam que não podem praticar esportes porque não têm tempo, quando muitas vezes se empenharam para preencher seu dia. Reclamam dos políticos enquanto lavam as calçadas com mangueiras. Dizem que estão sem dinheiro sem contar a quantidade de coisas fúteis que possuem. Comentam a anorexia negativamente e admiram as "fashion magazines". Fazem cara feia para os assassinos enquanto aplaudem os políticos corruptos.
Aliás, esquecemOS, dizemOS, aborrecemOS, justificamOS, reclamamOS, comentamOS e fazemOS. Falamos dOS outros. São sempre nós mesmos que também mentimos sendo hipócritas, roubamos a liberdade alheia, jogamos o tão metaforado "jogo da vida".
Enquanto isso, alguns escrevem num esforço de autoconscientização.
É o filme. OS tentadores.


PS.: Esforço no triplo sentido da última frase.

8.7.10

Camareira

Camareira. Essa é uma profissão misteriosa.
Imagine você que camareiras são pessoas desconhecidas, que entram no quarto que você estiver hospedado (a) no hotel, mexem nas roupas de cama que você usa, nas toalhas que você se seca e sabe se lá o que passa por sua cabeça enquanto arruma as coisas que nós bagunçamos.
Estou pensando isso por estar, nesse exato momento, sobre uma cama que uma dessas mulheres (é... homem são incomuns nessa profissão) arrumou.
Como não poderia deixar de ser, arrumou quando ninguém desta família estava presente.
Fico imaginando agora o quanto da nossa vida ela pode saber.
O par de malas e as três camas com resquícios de gente que dormiu, as toalhas molhadas por secar no banheiro, os petiscos trazidos de casa, as roupas penduradas no guarda-roupa, as bolsas semi-abertas em cima do criado-mudo...
São tantas coisas que podem ser descobertas. E ao mesmo tempo, nada. É como a gaveta de criado-mudo aberta, de Mario Prata. (Procure ler "Minhas Criado-mudo").
A camareira vem, arruma, vai embora. A gente vem, bagunça e vai embora. E mesmo com tantas intimidades expostas, nós provavelmente nunca nos veremos nem saberemos algo concreto. Estranho, não?!

12.6.10

E eu sempre achei que era vivo

Devíamos correr descontroladamente pelas ruas e avenidas,
avisando que nada é orgânico.
É tudo programado
em um sistema constantemente reinstalado


Use

Fale
Compre Diga
Seja
Faça SISTEMA


Pense More
Gaste

Leia
Não sr. Sim sr.


Tínhamos que lutar por um objetivo verdadeiro.
Não por uma banda ou pelo utilidade da moda.
Pelo bem do país e por um futuro melhor,
por filhos melhores para o mundo,
com consciência de que os humanos é que estão em perigo,
que são o perigo,
que são uma poeirinha na Terra.

E lá vem eles, reinstalar o sistema.

O dia todo,
todo o consumo,
toda a vida,
toda a brutalidade,
a política
e a falta de organização.
A concorrência
e a incoerência
da liberdade reprimida.



Ps.: Inspiração em Pitty - Admirável Chip Novo

2.5.10

I think, only about me

Eu sei que tenho culpa... Mas também... Ele ficaram zumbindo no meu ouvido que amor tem que ser uma coisa perfeita, enfeitada com flores aromáticas e sem guerras e contendas. Me contaram que ele resiste a chuvas e tempestades, mas não disseram o quão frágil ele poderia ser.
Passei a não acreditar mais nele quando os poetas me disseram que o amor era sonho, utopia e sorrisos mil. Eu já tinha parado de sonhar para simplesmente pensar. Deixei de sentir e me contento agora em apenas raciocinar, utilizar-me deste privilégio humano e ser racional, por vezes até em demasia.
Não quero que penses que eu escolhi criar essa proteção de cristal, que preferi me prender com parafusos que vão espanar se você tentar abrir. Mas saibas que a minha inflexibilidade tende a durar toda a finitude da minha existência. Tão curta existência, eu sei. Curta demais para eu querer brigar por escolhas!
Talvez o tempo, melhor amigo dos cheios de dúvidas, traga-me em algum futuro remoto as respostas de todas as explicações que anseio, as definições que nunca encontrei.
Não posso compreender-te, nem imaginar o que pensas... Só procurar por um momento, nessa ferrovia, onde encontrarei o trem da salvação, que me vai me salvar das minhas angústias.
Eles criaram essa teoria da conspiração e invadiram minha vida medíocre com essas palavras fofas e redondas. E eu, drasticamente as enquadrei numa cela
Pode parecer estranho me ver assim tão introspectiva. Saiba também que o que me consome, boa parte do dia e também das noites de insônia, são essas introspecções. Talvez, algum dia alguém as encontre num papel amarelecido pelo tempo e tire conclusões equivocadas sobre o que um dia fui eu.